O construtivismo onírico de Sidney Lacerda envolve pintura, escultura
e arquitetura.
No abstracionismo é comum descobrirmos duas correntes: a tendência a
um lirismo entendido como pura aspiração formal
e outra mais próxima de certos influxos da Bauhaus, em direção a uma
arte de pura percepção que busca superar todo limite entre pintura,
grafismo, escultura, arquitetura, produto funcional ou arte aplicada a
industria.
Embora apaixonado pelas experiências, Sidney Lacerda não renuncia à
pintura: cria obras que se relacionam
particularmente com a geometria e um certo construtivismo,
desenvolvidos como evolução de linhas irregulares,
num ritmo modulado,em que a cor tímbrica acentua a idéia do infinito.
São composições inventadas com rigorosa tenção mental, que se impõe
por sua limpidez criativa.
Sem subterfúgios ou nostalgias românticas, desenvolve um discurso
rigoroso mas sempre próximo dos problemas
da civilização em que vivemos. Esse vigor tornou-se para ele um
costume que o afasta de todo e qualquer modismo temporário.
Quem tem a ocasião de se aproximar da obra de Sidney Lacerda se
encanta com a clareza com a qual o artista simplifica
cada coisa afim de obter a verdadeira substancia de sua mensagem.
No desenvolvimento de suas composições não figurativas, usa seus temas
dentro de linhas as mais diversificadas.
Participando da vida de nossos dias não entendida como espetáculo ou
aparência,
mas como fonte de experimentação, encontramos em sua obra raízes
realísticas.
Suas composições da série “Construções oníricas” nos apresentam na
realidade um novo conceito urbanístico-arquitetural. Partindo de
pequenos objetos tridimensionais aplicados em suporte de madeira e
envolvidos com uma forração de mica,
terra ou tinta, o artista alcança uma idéia arquitetônica que se
relaciona muitas vezes com
um plano de construções de típicas cidade-satélite.
Na obra “Cidade dos sonhos”, doada ao Museu de Arte do Parlamento São
Paulo, Sidney Lacerda se move do cubismo,
não em relação a uma estática monumentalidade de volumes, mas para
acolher, através do rigor estilístico e
equilíbrio das imagens,o sabor da emoção de viver.
O paraíso existe e
está dentro de cada ser humano .
O Guerreiro da Luz vem de um planeta Iluminado e cheio Luz .
Ele vem nos perguntar por que estamos tão primitivos e infelizes ,
cegos diante de tanta riqueza ...
O segredo para se ter uma vida em harmonia com a Natureza
é a conexão de Luz e aí sim , o milagre irá acontecer .
Anjos de Vidro ( 2010 )
Performance ' Carrinho dos Sonhos '
Poucos personagens são tão
típicos hoje na cidade de
São Paulo como os
carroceiros. Geralmente do sexo masculino,
entre 41 e 55 anos, sem ensino fundamental, são anônimos
percebidos por poucos no vai-e-vem da metrópole .
O artista plástico Sidney Lacerda apropria-se desse personagem
na performance ' Carrinho dos Sonhos ' .
O veículo, com 60 cm de altura e 80 cm de largura, espelhado por fora,
tem,
na sua parte interna, um vidro inclinado coberto por uma lona azul,
além das laterais pintadas de vermelho .
A
Liberdade do Gesto
Afasta-se do
figurativo para estabelecer um universo onde a
construção das formas
é o ponto alto . O gesto é que ganha as telas .
O observador das obras do
artista pode até buscar um referencial para se apoiar,
mas encontrará
liberdade do movimento do pincel em busca da
representação certeira . A preocupação não é errar ou acertar,
mas fazer
plenamente . Quando utiliza o branco e preto em suas criações,
a presença e a
ausência de cor conquista
pelo jogo de atrações e
distâncias e de espaços cheios e vazios .
Céu e Terra
Céu e Terra são elementos
complementares do universo e fundamentais
para vida humana, seja
no seu aspecto cotidiano ou na esfera simbólica .
Ao conceber esta exposição
com esse título,
o artista plástico Sidney Lacerda
oferece a oportunidade de refletir sobre
como o ser humano
se relaciona
com esses elementos . No centro da exposição, dois módulos
feitos de
madeira,
fórmica e espelho geram um mundo em que imagens se
repetem infinitas vezes
num jogo em
que os limites entre o real e
o imaginário são questionados a cada instante .
Fendas Capilares
O cabelo (do latim capĭllus) que cresce no couro
cabeludo diferencia-se dos pêlos comuns do
corpo pela sua elevadíssima concentração por área de pele e pelo
desenvolvimento em comprimento .
Lisos, crespos, ondulados e de
muitas cores (loiros, ruivos avermelhados ou
alaranjados, castanhos claros
ou escuros, pretos ou negros, grisalhos e
brancos), são o ponto de partida
desta série de Sidney Lacerda .
O artista plástico mineiro, ciente que o
cabelo, além de importante na
estética, dando forma e
valorizando o rosto,
funciona como um isolante térmico, protegendo a cabeça
das radiações solares, chega, na exposição Fendas capilares, ao ápice de um
período de
aprendizado e de experimentações com diversos materiais e técnicas .
Pedras Mutantes
Pequenas pedras são colocadas nos mais diversos formatos constituindo
corpos humanos nas maisvariadas posições. Dispostos sobre o solo,
surgem silhuetas sempre
acrescidas de algum
objeto
(um par de tênis, por exemplo), no qual é colado um espelho.
Estabelece-se assim uma metáfora de como as pedras podem ganhar vida.
O espelho permite justamente que a pessoa se veja no trabalho e também que
ela observe asimagens e os reflexos propiciados em torno das
“pedras mutantes” e daquilo
que suas formas evocam .
Rio das Pedras
Pedra quebrada mecanicamente em fragmentos de diversos diâmetros, muito
utilizada na fabricação de concretos, no lastro de rodovias e outras
obras da construção civil, a brita é usada para funcionar como a água do rio .
Nascido em
Bandeira, Minas Gerais, em 5 de abril de 1966, teve a sua
iluminação estética vendo as
nuvens passar no céu, construindo as mais variadas formas. Outra imagem que
o acompanha até hoje
são as silhuetas das colinas que caracterizam o seu Estado. Com essas
imagens na cabeça, não tardou a
se manifestar nele a vocação artística
vista, entre outros pela crítica e professora
Ernestina Karman
.
De seus primeiros desenhos ao patamar artístico que está hoje, Lacerda
percorreu um período de
aprendizado e de experimentações, com diversos materiais e técnicas. Algumas
características
permanecem como a preferência por materiais orgânicos, como
os minerais, e pelo uso de cores terrosas .
Para a série Fendas, por exemplo, realizou numerosos estudos em busca de
soluções
poéticas e
visuais em que trabalha justamente com a possibilidade de múltiplas
aberturas
a partir de criações
em que utiliza principalmente a linha reta, num resultado de esmero técnico,
mas de certa rigidez plástica .
Progressivamente, a dureza desse trabalho começa a dar espaço à
pesquisa com
o uso de massas de cor,
que cortam a tela com a rapidez de um punhal.
São obras de grandes
proporções que impressionam
pela gestualidade e pela
capacidade de transmitir movimento ao espectador .
As pinturas de Sidney Lacerda instauram então uma dança mental com aquele
que as observa .
Trata-se de arte abstrata, mas carregada de humanidade. Sua
matriz está na harmonia entre as
cores e na busca de um traço absolutamente
próprio, criado com a pureza das
nuvens do céu e as linhas do horizonte
mineiro .
É desse encontro entre céu e terra que Lacerda, radicado na capital
paulista, tira a sua energia .
Mesmo quando trabalha com outras técnicas, em
preto e branco, vale-se de
manchas de cor para estabelecer uma
harmonia visual que nos convida a sucessivas
leituras interpretativas. Na
sua pesquisa com tubos de
PVC coloridos ou fragmentos de
madeira cria templos sagrados que igualmente
são uma indução
à reflexão sobre a existência humana e sobre a passagem do tempo .
A grande arte precisa, acima de tudo, de sinceridade em seu processo
criativo.
Isso significa não fazer concessões em nome de galeristas ou
colecionadores, mantendo
sempre alerta a sua capacidade de olhar livremente
o mundo circundante e as suas
necessidades interiores para oferecer, em seu
trabalho, uma resposta autêntica,
única e resultado de um amadurecimento do
processo de criação .
Sidney Lacerda tem a sua obra marcada pela busca incessante por soluções.
Por isso,
o seu trabalho
tem um frescor difícil de se encontrar no atual panorama da arte
contemporânea nacional. Suas massas
de cor cruzam a tela e, como nuvens no céu,
ganham continuamente novas
dimensões, superando o grande desafio da grande arte:
ser vista mais de uma
vez e parecer sempre nova .