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O Construtivismo Onírico
( por Emanuel Von Lauenstein Massarani )

O construtivismo onírico de Sidney Lacerda envolve pintura, escultura e arquitetura.
No abstracionismo é comum descobrirmos duas correntes: a tendência a um lirismo entendido como pura aspiração formal
e outra mais próxima de certos influxos da Bauhaus, em direção a uma arte de pura percepção que busca superar todo limite entre pintura, grafismo, escultura, arquitetura, produto funcional ou arte aplicada a industria.

Embora apaixonado pelas experiências, Sidney Lacerda não renuncia à pintura: cria obras que se relacionam
particularmente com a geometria e um certo construtivismo, desenvolvidos como evolução de linhas irregulares,
num ritmo modulado,em que a cor tímbrica acentua a idéia do infinito.
São composições inventadas com rigorosa tenção mental, que se impõe por sua limpidez criativa.

Sem subterfúgios ou nostalgias românticas, desenvolve um discurso rigoroso mas sempre próximo dos problemas
da civilização em que vivemos. Esse vigor tornou-se para ele um costume que o afasta de todo e qualquer modismo temporário.
Quem tem a ocasião de se aproximar da obra de Sidney Lacerda se encanta com a clareza com a qual o artista simplifica
cada coisa afim de obter a verdadeira substancia de sua mensagem.
No desenvolvimento de suas composições não figurativas, usa seus temas dentro de linhas as mais diversificadas.

Participando da vida de nossos dias não entendida como espetáculo ou aparência,
mas como fonte de experimentação, encontramos em sua obra raízes realísticas.

Suas composições da série “Construções oníricas” nos apresentam na realidade um novo conceito urbanístico-arquitetural. Partindo de pequenos objetos tridimensionais aplicados em suporte de madeira e envolvidos com uma forração de mica,
terra ou tinta, o artista alcança uma idéia arquitetônica que se relaciona muitas vezes com
um plano de construções de típicas cidade-satélite.

Na obra “Cidade dos sonhos”, doada ao Museu de Arte do Parlamento São Paulo, Sidney Lacerda se move do cubismo,
não em relação a uma estática monumentalidade de volumes, mas para acolher, através do rigor estilístico e
equilíbrio das imagens,o sabor da emoção de viver.

 

O Construtivismo Onírico ( mais imagens )






Poção do Amor - CÁLAMOS ( mais imagens )
 

 




Foto : Hideo William Muramatsu

 


Performance ' Miraculum '

 
   









Foto : Hideo William Muramatsu

Música de abertura : Cebe
Pintura corporal : Karina Rodrigues


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Performance ' O Guerreiro da Luz '
( 23 de Outubro de 2010 , Colégio Augusto Laranja )

O paraíso existe e está dentro de cada ser humano .
O Guerreiro da Luz vem de um planeta Iluminado e cheio Luz .
Ele vem nos perguntar por que estamos tão primitivos e infelizes , cegos diante de tanta riqueza ...
O segredo para se ter uma vida em harmonia com a Natureza
é a conexão de Luz e aí sim , o milagre irá acontecer .

   
   

Anjos de Vidro
( 2010 )

   
Performance ' Carrinho dos Sonhos '
Poucos personagens são tão típicos hoje na cidade de
São Paulo
como os carroceiros. Geralmente do sexo masculino,
entre 41 e 55 anos, sem ensino fundamental, são anônimos
percebidos por poucos no vai-e-vem da metrópole .
O artista plástico Sidney Lacerda apropria-se desse personagem
na performance ' Carrinho dos Sonhos ' .
O veículo, com 60 cm de altura e 80 cm de largura, espelhado por fora, tem,
na sua parte interna, um vidro inclinado coberto por uma lona azul,
além das laterais pintadas de vermelho .


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A Liberdade do Gesto
Afasta-se do figurativo para estabelecer um universo onde a
construção das formas é o ponto alto . O gesto é que ganha as telas .
O observador das obras do artista pode até buscar um referencial para se apoiar,
mas encontrará liberdade do movimento do pincel em busca da
representação certeira . A preocupação não é errar ou acertar,
mas fazer plenamente . Quando utiliza o branco e preto em suas criações,
a presença e a ausência de cor conquista pelo jogo de atrações e
distâncias e de espaços cheios e vazios .

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Céu e Terra
Céu e Terra são elementos complementares do universo e fundamentais
para vida humana, seja no seu aspecto cotidiano ou na esfera simbólica .
Ao conceber esta exposição com esse título, o artista plástico Sidney Lacerda
oferece a oportunidade de refletir sobre como o ser humano se relaciona
com esses elementos . No centro da exposição, dois módulos feitos de
madeira, fórmica e espelho geram um mundo em que imagens se
repetem infinitas vezes num jogo em que os limites entre o real e
o imaginário são questionados a cada instante .

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Fendas Capilares
O cabelo (do latim capĭllus) que cresce no couro cabeludo diferencia-se dos pêlos comuns do corpo pela sua elevadíssima concentração por área de pele e pelo desenvolvimento em comprimento . Lisos, crespos, ondulados e de
muitas cores (loiros, ruivos avermelhados ou alaranjados, castanhos claros
ou escuros, pretos ou negros, grisalhos e brancos), são o ponto de partida
desta série de Sidney Lacerda . O artista plástico mineiro, ciente que o
cabelo, além de importante na estética, dando forma e valorizando o rosto,
funciona como um isolante térmico, protegendo a cabeça das radiações solares, chega, na exposição Fendas capilares, ao ápice de um período de
aprendizado e de experimentações com diversos materiais e técnicas .

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Pedras Mutantes
Pequenas pedras são colocadas nos mais diversos formatos constituindo
corpos humanos nas maisvariadas posições. Dispostos sobre o solo,
surgem silhuetas sempre acrescidas de algum objeto
(um par de tênis, por exemplo), no qual é colado um espelho.
Estabelece-se assim uma metáfora de como as pedras podem ganhar vida.
O espelho permite justamente que a pessoa se veja no trabalho e também que ela observe asimagens e os reflexos propiciados em torno das
“pedras mutantes” e daquilo que suas formas evocam .

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Rio das Pedras
Pedra quebrada mecanicamente em fragmentos de diversos diâmetros, muito
utilizada na fabricação de concretos, no lastro de rodovias e outras obras da construção civil, a brita é usada para funcionar como a água do rio .

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SIDNEY LACERDA :                                               

Nascido em
Bandeira, Minas Gerais, em 5 de abril de 1966, teve a sua iluminação estética vendo as
nuvens passar no céu, construindo as mais variadas formas. Outra imagem que o acompanha até hoje
são as silhuetas das colinas que caracterizam o seu Estado. Com essas imagens na cabeça, não tardou a
se manifestar nele a vocação artística vista, entre outros pela crítica e professora
Ernestina Karman .

De seus primeiros desenhos ao patamar artístico que está hoje, Lacerda percorreu um período de
aprendizado e de experimentações, com diversos materiais e técnicas. Algumas características
permanecem como a preferência por materiais orgânicos, como os minerais, e pelo uso de cores terrosas .

Para a série Fendas, por exemplo, realizou numerosos estudos em busca de soluções
poéticas e visuais em que trabalha justamente com a possibilidade de múltiplas aberturas
a partir de criações em que utiliza principalmente a linha reta, num resultado de esmero técnico,
mas de certa rigidez plástica . Progressivamente, a dureza desse trabalho começa a dar espaço à
pesquisa com o uso de massas de cor, que cortam a tela com a rapidez de um punhal.
São obras de grandes proporções que impressionam pela gestualidade e pela
capacidade de transmitir movimento ao espectador .

As pinturas de Sidney Lacerda instauram então uma dança mental com aquele que as observa .
Trata-se de arte abstrata, mas carregada de humanidade. Sua matriz está na harmonia entre as
cores e na busca de um traço absolutamente próprio, criado com a pureza das
nuvens do céu e as linhas do horizonte mineiro .

É desse encontro entre céu e terra que Lacerda, radicado na capital paulista, tira a sua energia .
Mesmo quando trabalha com outras técnicas, em preto e branco, vale-se de
manchas de cor para estabelecer uma harmonia visual que nos convida a sucessivas
leituras interpretativas. Na sua pesquisa com tubos de PVC coloridos ou fragmentos de
madeira cria templos sagrados que igualmente são uma indução
à reflexão sobre a existência humana e sobre a passagem do tempo .

A grande arte precisa, acima de tudo, de sinceridade em seu processo criativo.
Isso significa não fazer concessões em nome de galeristas ou colecionadores, mantendo
sempre alerta a sua capacidade de olhar livremente o mundo circundante e as suas
necessidades interiores para oferecer, em seu trabalho, uma resposta autêntica,
única e resultado de um amadurecimento do processo de criação .

Sidney Lacerda tem a sua obra marcada pela busca incessante por soluções. Por isso,
o seu trabalho tem um frescor difícil de se encontrar no atual panorama da arte
contemporânea nacional. Suas massas  de cor cruzam a tela e, como nuvens no céu,
ganham continuamente novas dimensões, superando o grande desafio da grande arte:
ser vista mais de uma vez e parecer sempre nova .



                                                                               Oscar D’Ambrosio




Oscar D’Ambrosio, jornalista , integra a Associação Internacional de Críticos de Arte ( AICA-Seção Brasil ) e é autor de Contando a Arte de Ranchinho
( Noovha América ) e Os pincéis de Deus: vida e obra do pintor Naïf Waldomiro de Deus ( Editora Unesp e Imprensa Oficial do Estado de São Paulo ) .








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